Chovia. Gotas tristes caíram sob as rosas muchas, as margaridas sorriram. O céu fechou. Cortinas pretas cobriram o cenário colorido, provocando um frio congelante, interno. Vesti meu luto, saí andando vagarosamente com uma sombrinha negra sob os ombros, os corredores do novo aposento de minha mãe eram escuros e estreitos. A porta estava aberta quando cheguei, e ela deitada naquela cama, de irônicas margaridas, sufocadas num sono eterno.
Saí em busca do príncipe certo, mas os contos de fadas havia ficado no meu Passado. Perdi a força, minhas veias explodiram, a cabeça borbulhava, as lágrimas percorriam meu rosto como cachoeiras de águas cristalinas, passando pelo rio furioso do meu coração, desaguando no “Rio Negro”. Minha respiração torturava meu peito que, calava os fogos de emoções desesperadas e sentimentos de derrotas, no fim gritou: “Não!! Ainda preciso de ti”.
Passei horas sob o corpo de minha mãe, curtindo meu casulo, minha fonte, chorando sua partida. Senti-me só. Voei, mas um tiro atravessou minhas asas, o vento da dor cortou-me, fui caindo, caindo… Fiz um pouso forçado e arriscado. Cheguei na loja de pedidos impossíveis. Precisava de uma mãe. Vasculhei os baús, os fracos. Nada! Decidi montar uma, como havia sido a minha, coloquei na mãe-ilusão todas as qualidades que pude lembrar.Levei-a pra casa, com um sorriso, ainda, meio amargo, com o tempo encontrei um monstro de risos sarcártico. Faltavam os defeitos, as briguinhas.
Voltei à loja, troquei-a por um espelho, a fadinha vendedora falou que era mágico, pendurei-a na parede do meu quarto, olhei, vi um cristal refletido, olhei para trás, nada havia. Entrei. Vi-me criança. Assisti minha mãe contar histórias infantis. Com o pó de piripimpim da Emília, de Monteiro Lobato, encontrei o Príncipe da Bela adormecida e voei nas asas de Pégasus ao encontro da rainha encantada. Com um beijo celestial voltamos ao meu quarto, minha mãe me embalando no seu colo quentinho, cheio de atenção e conselhos e eu estasiada pela felicidade de ter o Presente.